
Celebrado nesta sexta-feira (16), o Dia Mundial da Alimentação chama a atenção para o combate à fome, a segurança alimentar e a importância de garantir uma alimentação adequada e saudável para todos. A data também reforça a necessidade de conscientização sobre os hábitos alimentares e sua relação com a saúde e a qualidade de vida.
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Para abordar o tema, a coordenadora do curso de Nutrição da UCEFF EDUCACIONAL, professora Karyne Kreuz, explica os principais desafios enfrentados pela população para manter uma alimentação equilibrada, o papel da educação alimentar na prevenção de doenças e a importância do acesso a alimentos saudáveis. Na entrevista, ela também destaca como a formação em Nutrição aproxima os acadêmicos das necessidades da comunidade, por meio de atividades práticas, atendimentos e projetos de extensão desenvolvidos pela instituição.
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Confira o bate-papo com a professora Karyne Kreuz
- Qual é a importância do Dia Mundial da Alimentação e o que essa data representa para a área da Nutrição?
Professora Karyne: O objetivo da data é conscientizar o mundo sobre a fome, a insegurança alimentar e a necessidade de sistemas alimentares mais justos e sustentáveis. Essa data reafirma o compromisso da nutrição com as políticas públicas e sociais.
- Quais são os principais desafios da população quando o assunto é manter uma alimentação saudável e equilibrada?
Professora Karyne: Os maiores obstáculos são custo, falta de tempo, ambiente cheio de ultra-processados e excesso de informação confusa. Fatores emocionais, hábitos familiares e desigualdade de acesso completam o quadro. Comer bem depende de condições concretas, não apenas de disciplina individual.
- Como os hábitos alimentares influenciam a saúde e a qualidade de vida das pessoas?
Professora Karyne: Os hábitos alimentares influenciam diretamente a prevenção de doenças crônicas, a energia diária, o humor, a imunidade e o sono. Existe conexão fisiológica real entre alimentação, intestino e saúde mental. O que define o resultado é o padrão alimentar ao longo do tempo, não refeições isoladas — consistência vence perfeição.
- De que forma a rotina, a praticidade e o acesso aos alimentos interferem nas escolhas alimentares?
Professora Karyne: A rotina define quando e onde se come; refeições puladas levam a escolhas impulsivas. A praticidade decide o que vence no dia cansado — e pode ser aliada com preparações simples. O acesso em casa, no bairro, no trabalho e nos aplicativos, define o cardápio realmente possível. Ajustar o ambiente funciona melhor do que contar com força de vontade.
- Qual é o papel do nutricionista na conscientização da população sobre a importância de uma alimentação adequada?
Professora Karyne: Realizar o papel de educador, fazendo educação alimentar com respeito à cultura, combate à desinformação, atuação em escolas e comunidades, políticas públicas e defesa do direito à alimentação.
- Quais são os principais mitos sobre alimentação que ainda precisam ser esclarecidos?
Ainda são vários! A lógica por trás de quase todos é a mesma: prometer atalhos em vez de mudança de padrão alimentar.
- Como a formação em Nutrição prepara os futuros profissionais para atuar na promoção da saúde e na educação alimentar?
Professora Karyne: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) formam um nutricionista generalista e humanista, com base biológica, social e humanística. Saúde coletiva e Educação Alimentar e Nutricional (EAN) são eixos do currículo, com competências definidas pelo CFN. Estágios em Unidades Básicas de Saúde (UBS), escolas e comunidades transformam teoria em prática educativa real. O profissional sai apto a atuar nos níveis individual, coletivo e populacional.
- De que maneira o curso de Nutrição da UCEFF aproxima os acadêmicos das necessidades reais da comunidade?
Professora Karyne: A aproximação acontece pela clínica escola, com estágio supervisionado e atendimentos gratuitos à população (crianças a idosos, incluindo patologias como diabetes e hipertensão). Projetos de extensão levam educação alimentar a comunidades específicas, como a escola indígena Toldo Chimbangue. Visitas técnicas e estágios hospitalares completam a vivência prática. O modelo segue o tripé ensino–pesquisa–extensão: a comunidade é atendida e o acadêmico aprende em situação real.
- Qual é a importância de trabalhar a educação alimentar desde a infância para construir hábitos saudáveis ao longo da vida?
Professora Karyne: A infância é a janela de formação do paladar, das preferências e da relação emocional com a comida. Hábitos aprendidos cedo viram automáticos e acompanham a pessoa por toda a vida — prevenir na infância é mais eficaz (e barato) que tratar na idade adulta. Família e escola são os territórios decisivos, com destaque para exposição repetida, exemplo dos adultos e participação da criança no preparo.
- Que orientação você daria para quem deseja começar a melhorar a alimentação, mas não sabe por onde começar?
Professora Karyne: Comece pelo básico! Comece observando o que já come, depois adicione alimentos bons em vez de cortar tudo de uma vez. Trocas simples semanais já transformam a rotina. Constância importa mais que perfeição.